Alguma coisa se tem escrito ,ou dito, sobre os acontecimentos mais importantes e com maior visibilidade nos meios de comunicação no período da Ditadura Militar. No entanto, o panorama do que acontecia em cidades interioranas , assim como, fatos importantes relacionados a pessoas que nasceram ou habitam essas cidades, não têm registro e vêm caindo no esquecimento. Como sou de família setelagoana ,e aqui vivi nesse período, veio o desejo de resgatar fatos da época.
segunda-feira, 18 de maio de 2015
Anos de chumbo
Quem viveu nas Faculdades nos anos sessenta sabe o horror em que se vivia. Os manifestantes desse face já estariam fuzilados há muito tempo. Ninguém podia abrir a boca. Os grupos mais corajosos se armaram em defesa da Liberdade.Até grupos de estudantes secundaristas eram advertidos se fizessem qualquer menção contra o governo. O medo era muito grande Alguns grupos de jovens mais corajosos se armaram em defesa do ideal de Liberdade, e viviam se escondendo na matas.Algum militar que foi pego estava perseguindo. Das prisões, inclusive do quartel militar em BH, podia se ouvir os gemidos de torturados. Eu mesma ouvi esses gemidos , em 1971.Em 1965, era da Direção da União Colegial de Sete Lagoas e fomos advertidos pelo Prefeito da época que poderíamos ser presos. Logo, em seguida, o Seminário da cidade foi invadido e os padres levados por soldados com baionetas na calada da noite. As crianças, digo crianças porque eram meninos de 5ª e 6ª série, choravam ao acordarem com aqueles militares invadindo o Seminário de madrugada e prendendo os padres. Meu irmão, Joaquim, lá estava e sabe do terror. Na época , o Seminário ficava em região desabitada, com mato, e tiveram que esperar amanhecer para virem para a cidade. Muitos livros eram proibidos. Em casa , coloquei fogo em livro e joguei as cinzas, dando descarga no vaso sanitário.Como nossa casa da Teófilo Otoni era frequentada por muitos jovens, era vigiada por Detetive. As reuniões eram proibidas.Não podíamos permitir que entrassem grupos de jovens, ao mesmo tempo, combinávamos que entrassem em horários diferentes. O jovem Raimundo que foi morto, era um menino franzino da Ação Católica. Rapaz religioso que defendia os humildes e se encorajava nessa defesa. Graças à Deus, hoje posso manifestar minhas idéias em defesa do trabalhador e posso dizer livremente que apoio a Esquerda, E era isso que a Ditadura não permitia.Essas idéias foram inspiradas na formação cristã que recebi quando criança ,e quando jovem nos grupos da Ação Católica (JEC) e depois na CJC do Movimento Familiar Cristão.
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