sexta-feira, 24 de abril de 2015

EDUCAÇÃO E CONTRADIÇÃO

EDUCAÇÃO E CONTRADIÇÃO

Uma das coisas mas terríveis que presenciei , em termos de corrupção, durante os meus 41 anos de dedicação ao Magistério foi a publicação  e distribuição de uma Cartilha nas Escolas Públicas no Município de  Sete Lagoas, em Minas Gerais.como Educadora havia há poucos anos vivido a experiência de grande reflexão e envolvimento com o processo coletivo de participação que foi O Congresso Mineiro de Educação, iniciado na Administração do respeitado Secretário de Estado da Educação de Minas Gerais, Octávio Elísio Alves de Brito, homem por quem tenho grande admiração. Depois de ter trabalhado diretamente com o notável pedagogo Neidson Rodrigues, falecido ainda jovem, e de ter feito um estágio em Educação no CIEP, de Sèvres, fui para Sete Lagoas trabalhar na "antiga" DRE, hoje, SRE. Vivi ali um trabalho profícuo e enriquecedor tendo como objetivo a Democratização da Escola, criação da Comissão Municipal de Educação dos Colegiados, participação das Famílias, aproximação com as Comunidade, debates, vozes diversas participando na busca do enriquecimento do Processo Educativo. No entanto, depois de um período efervescente de paticipação, liderado pela competência do Professor Milton Soares da Silva,  e de sua assessora ,a  dedicada  Maria da Conceição Santana, surgiu o caos.  O olhar autoritário de políticos, talvez vaidosos, ou, quem sabe ávidos de poder, veio inaugurar uma era nefasta na Educação em Sete Lagoas
Durante uma campanha eleitoral para Prefeito,Deputado Estadual e Deputado Federal surgiu um dos atos mais asquerosos de corrupção que assim considero, não apenas pelo uso do dinheiro público, pois financiadas pela Prefeitura. Pior do que isso foram distribuídas Cartilhas nas Escolas Públicas para alunos alfabetizandos, com campanha para eleição, inclusive fotos dos políticos candidatos. O mais incrível e pernicioso é que o principal candidato se apresentava como um Super- Homem , quando as Escolas valorizando o trabalho coletivo, implantaram seus Colegiados, enfatizando o trabalho coletivo e a participação da família.
O que me impressionou diante disso tudo foi que as poucas vozes que conseguiram se levantar contra isso foram pressionadas a calar, e mais ninguém reclamou. Outros absurdos aconteceram na cidade, e ninguém foi à praça gritar. Eu e uma amiga fomos a um jornal fazer umas denúncias, e o jornal nos deu umas poucas linhas numa página interna. O mesmo jornal deu a Diretora da DRE que era conivente com esses atos, a primeira página e uma manchete. A explicação da Diretora foi que isso era coisa de gente do PT. Eu era filada ao PSB, e a minha colega de trabalho não tinha filiação partidária. 
Como professora, participei de passeatas sob grande pressão e ameaças, inclusive estava na Praça da Liberdade quando corríamos de bombas rasteiras gases lacrimogêneos e duchas de água podre, Tinha muito medo e coragem ao mesmo tempo pois sempre acreditei nos meus ideais para a Educação no Brasil.
Hoje, vejo pessoas , fazendo festa com bandeiras na praça, sem sofrer pressão, o que não acontecia conosco, professores, em outros governos.O que querem as pessoas que não cuidaram e nem cuidam dos seus Municípios com tamanha disposição? Até parece que os de má fé só existem longe delas....Isso me faz lembrar algo que ouvi na minha infância sobre a trave nos olhos...

FOTOS DA CARTILHA DO CECÉ


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